quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Fim de Ano
terça-feira, 1 de novembro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
só mais uma de amor

ELE andava cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da própria companhia, sem precisar estar em uma turma de amigos todos os sábados. Indeciso se queria um amor verdadeiro… que podia nem ser eterno, mas que trouxesse um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua. Que ele possa exibir os seus dons e o seu conhecimento, só para ela.
Queria uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Desejava viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… queria ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Queria deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de short jeans, camiseta e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá, queria deitar na cama desejando que ela saia do banho com uma lingerie de tirar o fôlego.
Queria jogar jo ken po até que o perdedor vá até a cozinha pegar água. Queria o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Queria provar que pode fazer essa mulher feliz!
ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar. Então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido. Decidiu ter um amor verdadeiro… que podia nem ser eterno, mas que iria acordá-la com um abraço que faria o seu dia feliz, queria um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Queria a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.
Queria observá-lo sem camisa, jogando Age Of Empires na cama… queria reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Queria a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegaria a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto. Iria beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Queria provar que pode fazer esse homem feliz!
ELE estava por aí… sonhando com uma mulher… ELA trabalhando mais um dia... talvez ainda nem imaginasse… mas seria só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?
domingo, 9 de outubro de 2011
Coração
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Tudo novo, de novo.
Tudo novo de novo
Quero começar dizendo que esse post vai se dirigir ao últimos oito meses.
Logo eu tão instável, tão inconstante, leviana e namoradeira me tornei tão frágil.
Se um dia desconfiei e reneguei a existência do amor hoje sou prova que ele fere e cura, que bate e acaricia, prova de que é a força maior do mundo.
Passei meses lamentando uma dor que achava que nunca passaria, renegando mais uma vez tudo que tinha tido contato, odiando terrivelmente tudo que me trouxesse um pingo de sentimento, e ali estava eu, deitada numa tarde de sábado trocando mensagens depois de ter saído com três pessoas diferentes na mesma semana.
Doente, deitada e sem ninguém chega um SMS: “Oi linda, ta fazendo o que hoje? Vamos ao cinema.”estava de cama, mas desejava imensamente sair com o remetente: “Estou deitada, doente nem fui trabalhar”, papo vai papo vem convidei ele pra vir me visitar. Não sou de passar vontade mesmo marquei com ele na minha casa no outro dia.
Domingo fui trabalhar e quando voltei lá estava ele em meu sofá assistindo o jogo.
Em questão de horas conquistou os dois velhos mais difíceis do mundo.
Ele ia dormir lá.
Dezembro se passou.
Melhor e pior virada de ano.
Janeiro - já me odiava por aquele sentimento que parecia ser mais forte que eu.
Intuitiva desde criança algo ali me incomodava profundamente, não sei se era o excesso de carinho e desejo ou o excesso de desconfiança por ser e estar tão perfeito.
Fevereiro.
Março - parei de fumar e comecei a me dar conta que não era como eu sempre fui há muito tempo.
Três meses haviam se passado e nós ainda saíamos, já não conseguíamos passar mais de dois dias sem se ver.
Acordei naquele carnaval e não acreditava que eu não mais manipulava ou mentia, ou pior só saia com ele e desejava profundamente que ele me namorasse, era tudo diferente, aos poucos éramos um só.
O céu só tinha estrela, o vento estava nos congelando com aquelas roupas molhadas e ali no meio do nada e do barro veio o pedido: quer namorar comigo?
Lá estava eu, mais uma vez surpreendida, mais uma vez feliz!
Abril – um sonho, uma intuição, xeque-mate, uma decepção.
Eu só não queria acreditar e aquilo me amargurava, me doía mas meu coração não me deixava partir.
E mais uma vez a única decepcionada ali era eu e a única culpada era eu.
Já estávamos no meio de abril e o mês inteiro havia sido conturbado.
Virou o mês.
Maio – 5 meses com muito amor
Sayuri:
Somos agora o resultado de longos 5 meses curtos, 5 meses com muito amor. Te achar bonito não bastava, e coloquei na minha cabeça que sairia com você, e quando imponho uma meta para mim não desisto, bom...agora você já me conhece.
O primeiro mês....foi intensamente intenso era o fogo da paixão, a sede insaciável de prazer, palavras jorravam das nossas bocas, muitas vezes besteiras, mas queríamos um ao outro.
O segundo mês....foi de descobertas e dúvidas, descobrimos que na falta o tempo não passava, se fazia necessário sairmos juntos, inventar zilhões de desculpas para se encontrar e ficarmos juntos, pois era tudo muito bonito, mas nada ainda era certo, e mais um mês se passou voando.
O terceiro mês? Ahhhh o terceiro mês.... esse foi sublime, foi o mês do prazer, o ficar virou namoro e o sexo virou amor....a sede de prazer no terceiro mês virou sede de amor e de paixão, inovamos tudo, foi no terceiro mês que nos damos conta do compromisso que tínhamos, e sem nos darmos conta passava-se mais um mês.
O quarto mês...esse foi difícil! O quarto mês começou com angústias e terminou com provas de fogo.... o quarto mês foi o mês que choramos por descobrir que não temos noção do quanto nos amamos e quanto essa força guia nossos atos, foi quando desmentimos perdoamos, o quarto mês foi o mês que colamos, foi o mês que eu fui seu apoio, o quarto mês foi o mês que você foi meu céu e meu inferno, foi o mês que eu me descobri pra você, o mês que quis intensamente ser sua e que você fosse meu. O quarto mês foi quando descobri que não sou sua e você nunca será meu, foi o mês que descobri que somos um só e não temos posse de nossas almas. O mês que confirmei que estamos juntos de outras vidas, e que haja o que houver eu vou dar meu sangue por você. Por que NE? Não sei responder, mas quem sabe o quinto mês me mostre isso.
Nesses cinco meses passamos por muita coisa muito rápido, foi um tempo longamente rápido.
Cinco meses com muito amor.
Dia seis era a festa surpresa.
Dia oito era a surpresa.
Dia das mães, estava indo dormir quando troquei a roupa eu fui visitar meu primo. Passei algumas horas, conversa vai, conversa vem ele me vendeu uma idéia, me vendeu um destino.
Na volta da visita falando com o meu amado no telefone brinquei que casaríamos e íamos pro Japão. Vendi a idéia para ele também.
No outro sábado estávamos marcando a data do casório.
Hunf....caramba...em cinco meses eu já não fumava, bebia pouco e homens não eram interessantes, só tinha olhos pra ele.
Os planos já estavam traçados, a empolgação era visível, mas estava tudo muito rápido, saíamos só seis meses mas tudo muito intenso, tantas mudanças estavam me deixando zonza, esse tal de amor me enlouquecia mais uma vez.
Lembro-me que esse amor homem e mulher não durara por muito tempo a última vez, aliás até durou de uma forma imensamente dolorida e com contato curto.
E ali eu estava com um contato já rapidamente longo e intenso de fervura.
Ciúmes também me consumia, sentimento esse que nem sabia que existia.
Não acreditava que aquilo era possível, que eu era capaz de me casar, de ser esposa, mas era folclórico, íamos continuar separados mas eu não ia suportar.
Quando eu era pequena tinham me ensinado que casamentos eram felizes para sempre e só casaríamos com nossas almas-gêmeas....
Muitas coisas ao mesmo tempo e sobre aquela pressão toda minha cabeça parou...eu não funcionava mais...não sabia o que pensar...não acreditava de novo no amor mesmo ele me esfregando que tudo aquilo era fruto do verdadeiro amor...sms...sms...sms...
Sem conseguir trabalhar fomos almoçar juntos e conversar sobre tudo aquilo, eu não queria mais, não ia casar, mas quando olhei ele meus olhos já estavam inundados e ele me olhava com aqueles olhos de medo, medo de me perder, eu via só isso, só ele.
Não voltamos do almoço aquele dia.
Tinha certeza que era aquilo o certo, depois daquela noite em que ele foi pra natação, passei a noite inteira refletindo sobre isso...uma semana antes do casamento passei a noite em claro pensando no longo dia que estava por terminar.
Foi a pior e melhor semana da minha vida.
A ansiedade me consumia, já não dormia mais, estava ficando realmente nervosa, não pensava em outra coisa. Sexta chegou.
Sexta de reunião ele tinha dormido comigo e eu me negado a ir trabalhar, não ia conseguir.
Arrumamos as malas, separamos as roupas, decidimos os últimos detalhes e nos separamos.
Eu estava ansiosa, estava feliz.
Antes de dormir, tinha tomado um chá e fiquei com minha irmã, mas quando deitei tinha certeza de o dia seguinte era o dia que já estava escrito antes mesmo de eu nascer. Estava feliz, dormi como um anjo...
Acordei e só me preocupava em me arrumar, em ficar bonita, por mais simples que fosse o cartório estava preocupada em impressionar ele.
Sempre fui muito intensa, muito maluca.
A caminho, no carro não estava em mim, não pensava em nada, meu coração batia cada vez mais forte, tinha vontade de chorar, estava feliz, não conseguia chorar...
Ele estava simplesmente maravilhoso, o sorriso e os olhos delem só me passavam cumplicidade.
E mais uma vez a certeza estava ali... Não precisa ser perfeito. Pra mim, basta que seja verdadeiro.
Depois de tanto nervosismo e ansiedade casamos.
Dali fomos na feira comer pastel, olhando pra ele comendo tinha certeza que havia achado a minha alma-gêmea, o cara que ia sair do casamento e ir comer pastel comigo.
Fizemos algo para os mais íntimos, na nossa primeira noite de casados dormimos em cima de um pelego no chão com travesseiro e edredom, era uma felicidade inexplicável.
A lua de mel....aaaah a lua de mel...Deus sabe o que faz e Ele faz tudo perfeito.
Parecia conto de fadas, chegamos no hotel e fomos direto a praia. Porto Seguro não tinha iluminação na praia, estava de noite, noite de lua cheia, céu estrelado, lá na frente havia uma barraca acesa, fomos caminhando calmamente até lá e descobrimos uma tenda, uma tenda para deitar...muito perfeito! Hahahha, até demais.
Uma semana de lua de mel igual a uma semana de loucuras, vindo de mim e dele.
Porres, carro ralado e atolado, whisky, champangne e sabe se lá quantas garrafas de vinho.
Diversão garantida, viagem inesquecível.
Longos dias de risadas, longas noites de amor.
Voltamos para a realidade.
Proclamei, com voz embargada e lágrimas nos olhos: “Sou a única esposa que não posso morar com meu marido...”
Como isso me doeu, como doeu nele.
Era tudo novo de novo.
Abril de 2010. Novo.
Junho de 2010. Novo.
Dezembro de 2010. Novo.
Junho de 2011. Tudo novo de novo.
Segunda semana de casamento não me conformava em não poder morar com ele. Foi a semana que mais brigamos.
É incrível a forma como nos entendemos tão bem. Como o encaixe ao deitar e pegar no sono é sublime. Chegamos a um patamar que pensamos e falamos iguais em certas situações.
Já cansado daquela empresa ele começou a se desmotivar, ofereci uma oportunidade e ele, como sempre, confiou em mim e abraçou o que eu lhe ofereci.
Mudanças de novo.
Os planos eram outros, são outros.
Tudo mudou de novo, pra melhor.
Nossas coisas, nosso carro, nossa casa cada dia mais perto.
Não são todas as noites juntos e as noites que não são, são longas, mas são todas por um motivo maior.
Todos os dias eu levo um chocolate pra ele, mesmo as noites que ele não vai dormir.
Ainda choro a noite quando ele não ta comigo, mas eu sei que ele ta na cama dele também pensando em mim.
São algumas noites, as vezes eu canso disso, mas o amor sempre revigora.
Sei que apesar dos apesares todos, a gente continua tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
São oito meses, loucos oito meses, intensos oito meses, fiquei, namorei e casei nos curtos longos meses. Saio um pouco menos, não fumo e nem bebo todas as semanas. Nem nos conhecemos direito mas sabemos o que pensamos pelo olhar. Antes mesmo de namorar ele praticamente morou um mês inteiro na minha casa. Tudo muito rápido, tudo muito intenso mas dane-se. Comigo sempre foi tudo ao contrário mesmo.
Algumas noites tinham alguns assuntos que não saiam da minha cabeça, sempre fui muito acelerada. Tudo na hora, tudo na minha hora. E olhei pra mim mesma e pensei: “Somos um só, se não é hoje tenho a vida inteira com ele para ser.”
Como se houvesse entre nós dois, uma estranha e secreta harmonia.
Muitos desejaram o contrario de uma felicidade e aquilo me incomodava, mais nunca acreditei que maus fluidos, por mais fortes que sejam, consigam destruir um amor bonito e limpo.
Tenho sonhos grandiosos, tenho sonhos e planos pra gente. Sempre fui sonhadora.
Não importa, posso ser menos impulsiva mas não deixei de ser eu.
O pouco é muito pra mim. Os simples é tudo que cabe nos meus dias.
Sou protegida, me sinto protegida, abençoada, amada
Eu espero, e curto todos os dias. E te gosto muito.
Nunca planejei o amanhã e as poucas vezes que o fiz, não deu certo.
Hoje planejo o estar. Estar com você.
E é no nosso encontro, cara a cara, olho a olho, que as coisas vão se definindo.
E é amor, só amor.
Pra quem não acredita, tudo pode mudar em 1 mês, 1 ano ou apenas uma vida.
Mas muda, pra quem deixa, eu deixei apenas duas vezes. E mudou.
Não sei quanto tempo mais vou ter que esperar, mas meu amor esta comigo...
Se antes não tinha muitos sonhos e era o momento que me fazia, hoje meu sonhos que me fazem.
Me da segurança, amor, compreensão, atenção, ele é o alguém que senta comigo e fala: “Calma, eu estou com você."
Nem se eu passasse uma vida escrevendo eu expressaria, vivi uma vida com ele, vivi só oito meses.
Os melhores meses da minha vida.
E agora eu só penso: “Acalma esse coração, pequena, que desespero nunca resolveu problema.”
Só muita luta, muita força, muita loucura e muito amor.
A garota de São Paulo por Marcelo Rubens Paiva
Existem mais de cem tons de cores. Mas prefere o preto.
Cítricas?
Só quando vai à praia.
E costuma cobrir suas pernas esticadas, finas, com meias pretas.
Usa botas. Não existe mulher que se veste melhor do que as paulistas. E que saiba qual bota escolher e como andar sobre elas.
Sabe o equilíbrio entre o moderno e o convencional. Senso estético apurado. Dona do seu próprio estilo.
A paulista não anda, caminha apressada. Vem e passa. Sem balanço. Sem mar para ir atrás. Moça do corpo pálido. Saturado pela pressa. Beleza que passa sozinha.
Não faz questão de chamar atenção.
Nem tanta questão de ser gostosa, mas magra.
Sempre de dieta.
Sempre em guerra contra a balança.
Malha para se afunilar. Intensamente, pois sabe que a gastronomia da cidade é uma tentação. Massas, pizzas, doces, sorvetes, doces, nhá benta, tesão…
Academia?
Prefere pilates, que estica até o limite das juntas, quase rasga em duas.
E corre, se quer emagrecer urgentemente.
Olhando o chão, pois já tomou muitos tombos por causa das calçadas irregulares da cidade, uma anarquia de desníveis, pedras, buracos, pisos sem um padrão seguro para o seu caminhar apressado de botas, meias e pernas finas.
Rebolar?
Fora de questão.
Olha para o chão e se lembra do que esqueceu, do quanto falta, do que faz falta, do que está errado.
A garota de São Paulo é perfeccionista, gosta de estar ajustada, como as engrenagens de uma indústria. Quer a precisão da esteira de uma linha de montagem.
Passa e olha para o chão, pois pensa nas atividades, nos prazos atrasados, nos compromissos da semana, na agenda do mês.
A garota de São Paulo leva uma vida saudável. Procura comer verduras sem agrotóxico.
Leite?
Desnatado.
Carne vermelha?
Eventualmente.
Carboidrato à noite?
Nem pensar.
O pão tem que ser integral. Linhaça e aveia no café da manhã? Obrigação. Café descafeinado. Chás. Queijos brancos, magros.
Nada industrializado, a não ser a caixa de Bis, que detona algumas vezes em certos períodos, que por vezes tem o intervalo longo, mas quando se torna um vício, chora, porque algo deu errado, desembrulha e engole cada Bis, como se nele a explicação das incoerências.
Recicla o lixo.
Toma remédios para dormir. Toma excitantes para acordar. E aguentar a jornada.
Ela é ambiciosa, trabalha demais, em mais de um emprego, pensa em dez coisas ao mesmo tempo, procura conciliar a organização do lar com a de fora dele.
Ama e odeia o chefe.
Ama e odeia o trabalho.
Sabe que ele dá a independência para ser a moça que quiser, mas também tira o tempo de ser a moça que queria ser.
Metade dela sofre o descarte para a outra parte florescer.
Adora elogios.
Odeia galanteios.
Adora presentes.
Detesta insistentes.
Quer ser cortejada.
Jamais abusada.
Sorri quando assopram um elogio. Fecha a cara quando ultrapassam o limite da sua intimidade. Preserva a privacidade.
Algumas querem ser chefe. Chefiar garotos de São Paulo. O que só dispara seu conflito maior, o de agregar. Terá que dar ordens, broncas, demitir, exigir, estipular metas, cobrar eficiência. E depois sozinha em casa chora no escuro ao som de Billie Holiday. Se sente pressionada, e ela não sabe por quê. A vida não faz sentido, e ela não sabe por quê.
Chora em comerciais da TV, cerimônias de casamento, em maternidades, quando visita as amigas, no farol, quando uma criança vende bala.
A garota de São Paulo dirige bem. O problema é que se maquia enquanto fala no celular e ultrapassa um busão articulado, aproveitando a brecha entre ele e uma betoneira lotada de concreto. E se esconde no anonimato do insufilm, muda a música do MP3 e, dependendo dela, canta sozinha em voz alta, para não ouvir impropérios.
Faz tanta coisa ao mesmo tempo…
Dirige bem, mas é dispersa. Pensa em vinte coisas em dez segundos. Nunca chega a uma conclusão.
Liga para a mãe semanalmente. Troca poucas palavras com o pai. Detesta a esposa do irmão. E ama as amigas. Com quem viaja para a praia, para não ficarem um segundo em silêncio. Se o tempo não dá chances, prefere uma tarde na piscina do condomínio com as amigas do que encarar o parque lotado.
Se irrita com homens que falam de dinheiro. Se irrita com homens que contam vantagens no trabalho. Se irrita com homens grudentos, esnobes, arrumadinhos, fúteis, incultos, mal educados.
Gosta de homem interessante.
É assim que ela seleciona: os interessantes e os não.
O que é um homem interessante?
Nem se gravar o papo de seis horas na piscina com as amigas consegue-se descobrir.
Tem que ser aquele que chega e não dá bola. Mas que a repara bem antes de ir embora. Que olha como se ela fosse a mais fosforescente das mulheres. E que desse um jeito a todo custo de trocar meia dúzia de palavras e, claro, criar laços e conexões.
Mas se nada der certo, garotos, não esquentem a cabeça. A mulher de São Paulo sabe seduzir. Sabe olhar e demonstrar. Sabe chamar atenção e indicar que você foi o escolhido. Sabe sorrir, ser paciente com a sua demora, ouvir atentamente os seus devaneios e engasgos. E, quando parece tudo estar perdido, sabe dizer a hora de ir embora, como e sugerir na casa de quem.
A garota de São Paulo não enrola.
Quando não quer, deixa claro.
Quando quer, faz de tudo para acontecer.
E não tem o menor pudor de ir para a casa com você na primeira noite, preparar o café da manhã da primeira manhã, que logo, logo, ambos saberão se vai se repetir ou ser o único.
Pode deixar. Andando de volta para casa, com suas meias pretas e botas, olhando para o chão, ela pensará em você.
Tudo isso é uma generalização literária. Mas me dá licença, poeta, para uma licença poética, homenageando sem pedir licença a graça pragmática da mulher paulista.